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IPCA tem deflação de 0,21% em novembro, diz IBGE

Postada em 07/12/2018 às 11:33:58

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, teve variação negativa de 0,21% em novembro, em meio ao alívio nos preços de combustíveis e energia elétrica, segundo divulgou nesta sexta-feira (7) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com isso, o país registrou deflação - a inflação negativa - no mês de novembro. Este resultado foi o menor desde junho de 2017, quando o IPCA ficou em -0,23%. Para um mês de novembro, foi a menor taxa desde a implantação do Plano Real, em 1994. Trata-se também da segunda deflação registrada em 2018. Em agosto, o índice registrou variação negativa de 0,09%.

Entenda o que é deflação
Inflação oficial mês a mês
Variação mensal dos preços, em %
0,280,28
0,440,44
0,290,29
0,320,32
0,090,09
0,220,22
0,40,4
1,261,26
0,330,33
-0,09-0,09
0,480,48
0,450,45
-0,21-0,21
Nov/17
Dez/17
Jan/18
Fev/18
Mar/18
Abri/18
Mai/18
Jun/18
jul/18
ago/18
set/18
out/18
nov/18
-0,5
-0,25
0
0,25
0,5
0,75
1
1,25
1,5
Fonte: IBGE
Alta de 4,05% em 12 meses
No acumulado em 12 meses, o índice desacelerou para 4,05%, voltando a ficar abaixo da meta do Banco Central, que é de 4,5% para o ano, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

No acumulado no ano até novembro, o IPCA está em 3,59%, acima dos 2,50% registrados em igual período de 2017.

Das 16 regiões pesquisadas pelo IBGE, somente a de Goiânia teve inflação em novembro, de 0,12%. Em Belém, a variação média dos preços foi zero. Nas demais 14 foi registrado deflação. São Paulo, com peso de 30,67% na composição do indicador nacional, registrou deflação de -0,30%. A variação negativa maos intensa foi observada em Brasília: -0,43%.

Alívio nos preços de combustíveis e energia
O alívio nos preços de combustíveis e energia elétrica foi a maior contribuição para o recuo dos preços em novembro.


O preço médio da energia elétrica caiu 4,04% em novembro, exercendo a maior contribuição negativa no IPCA de novembro (-0,16 p.p.), favorecida pela mudança da bandeira tarifária, que passou de vermelha para amarela desde 1º novembro.

Já os combustíveis registraram deflação de 2,42%, em meio à queda do preço nas refinarias e do recuo dos preços internacionais do barril de petróleo.

Os três principais combustíveis tiveram queda no mês - a gasolina recuou 3,07%, o etanol, 0,52%, e o diesel, 0,58%. Em todas as regiões pesquisadas houve queda nos preços da gasolina. A mais intensa foi em Brasília, de -5,35%, e a menos intensa foi registrada no Rio de Janeiro, de -1,06%.

No acumulado no ano, entretanto, a gasolina ainda acumula alta de 12,66%, o etanol, de 2,36%, e o diesel, de 10,42%. Em 12 meses, os três tiveram alta, respectivamente, de 15,20%, 6,84% e 11,63%

Segundo o gerente do levantamento, Fernando Gonçalves, a gasolina é o produto que exerceu a maior pressão no IPCA no acumulado em 12 meses, respondendo sozinha por 15,20% do índice. Na sequência, as maiores pressões de alta são: plano de saúde, energia elétrica, cursos regulares, refeição fora de casa, empregado doméstico e ônibus urbano.

Inflação acumulada em 12 meses
Evolução do IPCA no acumulado em 12 meses, em %
2,72,7
2,82,8
2,952,95
2,862,86
2,842,84
2,682,68
2,762,76
2,862,86
4,394,39
4,484,48
4,194,19
4,534,53
4,564,56
4,054,05
out/17
nov/17
dez/17
jan/18
fev/18
mar/18
abr/18
mai/18
jun/18
jul/18
ago/18
set/18
out/18
nov/18
0
1
2
3
4
5
jul/18
4,48
Fonte: IBGE

Variação do IPCA em novembro por setores
Segundo o IBGE, 5 dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram deflação de outubro para novembro, com destaque para transportes e habitação.

Do lado das altas, o grupo de alimentação e bebidas, foi o que mais pesou, pressionado pelos preços de legumes e hortaliças. A cebola teve alta de 24,45% no mês. O tomate, de 22,25%; a batata inglesa, de 14,69%; e as hortaliças, de 4,43%.

"Está tendo muita chuva, o que prejudica as colheitas. Além disso, a demanda aumenta nessa época do ano", apontou o gerente do levantamento.

Veja abaixo a variação dos 9 grandes grupos pesquisados:

Alimentação e Bebidas: 0,39%
Habitação: -0,71%
Artigos de Residência: 0,48%
Vestuário: -0,43%
Transportes: -0,74%
Saúde e Cuidados Pessoais: -0,71%
Despesas Pessoais: 0,36%
Educação: 0,04%
Comunicação: -0,07%
Meta de inflação e perspectivas
A previsão dos analistas para a inflação em 2018 caiu para 3,89%, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central.

O percentual esperado pelo mercado está bem abaixo da meta de inflação que o Banco Central precisa perseguir neste ano, que é de 4,5% e dentro do intervalo de tolerância previsto pelo sistema - a meta terá sido cumprida pelo BC se o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar entre 3% e 6%.

Na segunda-feira (3), o presidente do BC, Ilan Goldfajn, disse que a inflação terminará este ano com um avanço menor que 4%. Em 2017, a inflação oficial do país ficou em 2,95%, fechando pela primeira vez abaixo do piso da meta fixada pelo governo, que era de 3%.

Para a composição do índice de dezembro, Gonçalves destacou que haverá influência do reajuste do botijão de gás, que subiu 8,52% nas refinarias, e do retorno à bandeira verde nas contas de energia elétrica, que não tem nenhuma cobrança adicional. Também devem influenciar alta nas tarifas de água e esgoto do Rio de Janeiro e Porto Alegre, da energia elétrica na capital gaúcha, e do gás encanado na capital fluminense.


A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente em 6,5% ao ano.

Para 2019, os economistas das instituições financeiras projetam um IPCA em 4,112%. A meta central do próximo ano é de 4,25%, e o intervalo de tolerância do sistema de metas varia de 2,75% a 5,75%.

 

Fonte: Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1

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